24/07/2017 - Sem efetivo, Proerd atende só 12 dos 25 municípios da Comcam

Referência na prevenção às drogas na infância e adolescência, o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) enfrenta sérias dificuldades na Comcam, inclusive com risco de extinção. O principal problema é a falta de policiais instrutores para executar o programa nas escolas. O alerta foi feito no início deste mês pelo instrutor Valdir Hermes da Silva (PSDB), vereador e policial aposentado de Engenheiro Beltrão. Dos seus 26 anos de carreira militar 10 foram dedicados ao Proerd. Ele esteve ontem em Campo Mourão, onde se reuniu com o comando do Batalhão da Patrulha Escolar para discutir a situação. Para se ter ideia, de acordo com Subtenente Mauro Fernandes de Souza, comandante do 3ª Pelotão do Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) de Campo Mourão, apenas 12 dos 25 municípios da Comcam estão sendo atendidos este ano pelo programa por conta do efetivo reduzido.

Ainda conforme informações, o Proerd conta com apenas dois policiais militares instrutores, que atendem cada um 6 cidades. Para o próximo ano, o número deverá ser reduzido para 6, ou seja, a metade, já que um dos profissionais será aposentado. “Se nós tivéssemos mais policiais, com certeza a gente conseguiria atender todos os outros municípios”, afirmou o subtenente. Segundo ele, o pelotão local compreende os núcleos de Educação de Campo Mourão, Cianorte e Goioerê, somando mais de 30 municípios envolvidos e uma enorme quantidade de colégios. “Só temos infelizmente dois policiais para atender toda a Comcam. É uma preocupação muito grande”, falou o comandante.

Souza comentou que uma das saídas para resgatar o fortalecimento do programa na região seria a implantação de uma escola do Proerd em Campo Mourão para formar instrutores para atender a região. “Pelo que a gente tem conhecimento o custo é alto. Por isso vamos depender muito de patrocínios e de todo apoio político dos prefeitos da Comcam e nossos deputados para que este custo efetivamente aconteça em Campo Mourão. Para isso, precisamos também que sejam liberados policiais dos batalhões de área - 11ºBPM e 4ºBPM-, para que a gente possa atender a demanda”, frisou.

O comandante reconheceu o apoio político que já vem recebendo na região, mas disse que a corrente precisa se fortalecer ainda mais. Como exemplo, ele citou que o secretário de Estado do Esporte e Turismo, Douglas Fabrício (PPS), deputado licenciado, doou recentemente uma viatura para atender o Proerd na região. A entrega oficial será feita nos próximos dias. “É muito importante a mobilização da comunidade como um todo”, ressaltou. O subtenente informou que mais 2 policiais neste momento, aumentando para 4 o número de instrutores, seria ideal para suprir a demanda. Porém, para o próximo ano a necessidade aumentaria para 3, considerando que um dos instrutores será aposentado. “Quanto mais policiais a gente formar e capacitar melhor será”, afirmou. Segundo ele, para o policial ser instrutor não pode ser dependente de álcool, ou ter qualquer outro vício. “Tem que ter um perfil para isso, e tem que querer também, ser voluntário”, explicou.

Souza desmistificou o preconceito existente sobre o policial instrutor do Proerd. “Existe um preconceito de que ele não faz nada, é mentira. A ideia que temos é que realmente a atuação do policial nas escolas traz um benefício muito grande no futuro que é a prevenção, mantendo nossos jovens longe das drogas.

Inclusive temos testemunhos de que realmente o programa funciona”, esclareceu. Ele alertou que o fim do Proerd geraria um prejuízo irreversível a inúmeras famílias da região. “Quem vai perder será a comunidade por isso estamos correndo atrás para mobilizar a sociedade com relação a situação”, acrescentou.

O PROERD

Com caráter social preventivo, o Proerd foi implantado no Paraná em 1992, seu objetivo é prevenir o uso de drogas, inserindo nas crianças a necessidade de desenvolver as suas potencialidades. O programa consiste numa parceria da Polícia Militar, através de policiais instrutores, educadores, pais e comunidade para oferecer atividades educacionais em sala de aula, a fim de prevenir e reduzir o uso de drogas e a violência entre crianças e adolescentes.

O programa tem por objetivo a prevenção ao uso de drogas entre crianças em idade escolar, o qual é desenvolvido através do fornecimento de informações aos estudantes sobre álcool, tabaco e drogas afins; ensinar os estudantes, as formas de dizer não às drogas; ensinar os estudantes a tomar decisões e as conseqüências de seus comportamentos; e trabalhar a auto-estima das crianças, ensinando-as a resistir às pressões que as envolvem.

Fonte: Walter Pereira/Tribuna do Interior

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