17/08/2016 - Alep aprova projeto que reconhece Barbosa Ferraz como capital do crochê no PR

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) aprovou na tarde dessa terça-feira (16), por unanimidade dos votos, o projeto de lei nº 654/2015, que reconhece o município de Barbosa Ferraz como a capital do crochê no Estado do Paraná.

O projeto foi apresentado ainda em setembro do ano passado pelo deputado Evandro Araújo (PSC), suplente do deputado Ratinho Junior, vice-prefeito de Marilva.  O relator da CCJ na Câmara, pastor Edson Praczyk (PRB) fez a leitura do projeto durante reunião da comissão,  obtendo o parecer favorável de todos os 13 deputados integrantes da mesma. O projeto segue agora para votação do plenário. Historicamente, dificilmente um projeto aprovado pela CCJ tem reprovação do plenário.

Araújo apresentou o projeto justificando que o município de Barbosa Ferraz trem pouco mais de 12 mil habitantes, dos quais cerca de 3 mil  deles dividem o crochê como ramo de atividade. Há 20 anos, quando a primeira fábrica de fios surgiu na cidade, crochetear ainda era passatempo dos avós. Mas o trabalho ganhou corpo, chamou a atenção de outros estados e hoje soma uma fatia importante na economia municipal, gerando receita de mais de R$ 800 mil ao mês ao município, de acordo com a prefeitura.

O empresário Waldir de Oliveira, dono do Empório Crochê, foi o responsável pela implantação da produção. Quando ainda era secretário de planejamento do município, decidiu percorrer algumas cidades do sul de Minas Gerais, berço deste tipo de confecção, para entender melhor o setor. A ideia, segundo ele, era diversificar a economia local, baseada na agricultura. Como experimento, resolveu arriscar e voltou ao Paraná com 50 quilos de fio de algodão.

A época, conta Oliveira, a dificuldade era tão grande que nem as agulhas usadas na confecção do produto eram encontradas na cidade. Foi preciso criá-las a partir de chapas de alumínio doadas pela Copel. Com o material trazido de Minas, algumas peças de conzinha foram feitas por vizinhas do empresário que conheciam as técnicas.

De volta às cidades de Minas, o empresário apresentou o pequeno mostruário que caiu no gosto dos empresários locais. As viagens se tornaram constantes e a variedade de produtos aumentou. De jogos de cozinha a roupas exclusivas, tudo ganha forma e charme pelo crochê. Atualmente, a cada 20 dias, cerca de 7 toneladas de produtos saem da fábrica de Oliveira em direção às terras mineiras.

Além de comercializar o material pronto, a matéria prima também passou a ser produzida e vendida para outros estados. Cerca de 90% da produção tem destino certo: Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O restante é distribuído na região, conforme o empresário. Hoje existem no município quatro fábricas de transformação de fios, quatro fábricas de barbantes, três teares e cinco lojas especializadas na venda de artesanato.      

 Walter Pereira/Tribuna do Interior

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